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quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Eu só quero você aqui.

Eu tinha acabado de me despedir dele, não foi como eu queria mas de certa forma, do modo como eu esperava.
            Eu sai pela porta do apartamento dele, e andei rapidamente irritada por aquela longa, estreita e escura rua sobre a chuva que apertava a cada passo que eu dava.
            Não aguentava mais segurar, e comecei a chorar. As fortes gotas se confundiam com as mais inocentes lágrimas que saiam dos meus olhos e escorriam pelo meu rosto junto com a maquiagem que ainda havia nele.
            Não precisava de um guarda-chuva. A única coisa que eu levava comigo era a minha bolsa, que caiu deixando alguns papéis e agendas saírem dela ao chegar ao único poste que iluminava a rua. Sua luz falhava.
            Quando abaixei para pega-la, chorei mais do que à alguns largos passos atrás – se é que isso é possível-.
            Me sentei em cima das pernas dobradas e apoiei o rosto com as mãos. Eu já esperava por aquela reação, então porque me doía tanto aquele adeus?
            Uma mão apoiada de leve no meu ombro interrompiam todos os pensamentos que corriam pela minha cabeça. Virei o rosto.
            - Por favor, fique.
            - Eu não posso, você sabe disso. Porque você dificulta mais ainda?
            - Eu não dificulto, eu só quero você aqui.
            A chuva ficava mais forte a cada palavra pronunciada.
            O vento que a acompanhava fez com que meu cabelo voasse para frente dos meus olhos.
            Ele os tirou do meu rosto para que conseguisse ver o dele.
            Assim que meus olhos se encontraram nos seus, sua boca achou a minha.
            Hipnotizante. Dentre as mil palavras que percorriam em minha mente, essa foi a mais adequada para usar.
            Não sei se foi certo ou errado. Mas sei que precisava daquilo antes de partir.
            Talvez fosse errado aquele beijo, naquela hora. Ele me fez querer ficar quando eu mais precisei partir.
            Não me arrependo quando o beijei naquela rua a noite na chuva de baixo de um poste com a luz falhando.
            Eu não deveria ter ido. Não que fosse coisa do destino, porque também não acredito nele, no fundo acho que só é mais uma desculpa.
            Prefiro dizer que fui levada pela emoção. Não me arrependo do que escolhi. Tudo acontece por uma razão. A minha? Se não fosse isso, por que razão eu estaria escrevendo a noite em uma longa e larga rua debaixo de um poste com a luz falhando?


                  

quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Dona dos meus sorrisos.

Era uma sexta-feira, e ela tinha acabado de recusar o convite da melhor amiga para saírem. Ela estava muito mal para qualquer coisa aquela noite. Sentada na cama, ela agarrava seu travesseiro que ali era sua única companhia. Ele foi ficando cada vez mais molhado pelas lágrimas.
Limpou-as com as mãos, borrando qualquer maquiagem que ainda estivesse em seu rosto e respirou fundo para conseguir se acalmar.
“Chega! Chega de chorar...” – foram as palavras que saíram de sua boca avermelhada.
Ela mal terminava a sua tentativa de se acalmar, enquanto foi interrompida por mais lágrimas que ela não conseguia segurar. Mais uma vez abraçou seu travesseiro, pensando no último abraço dele. Minutos se passaram e ela ainda o apertava sobre seu rosto.
Ela levantou a cabeça e olhou para aquele que abraçava a noite toda e o viu todo molhado. “De novo?” ela pensou. Respirou, e dessa vez se segurou para não chorar. Se levantou da cama e foi direto ao banheiro. Prendeu seu cabelo, abriu a torneira e deixou que a água gelada limpasse as lágrimas que ela tinha prometido nunca mais deixar cair.
Limpou o rosto com a toalha que estava ao lado da pia e o ergueu. Ela decepcionou-se ao vê-lo todo vermelho, que a fazia lembrar como tinha sido da última vez. Nada tirava a sensação de arrependimento por sofrer tanto por tão pouco. Enquanto voltava para seu refúgio daquela sexta, imagens vinham em sua cabeça, e tomavam conta de seu pensamento. Lembranças do primeiro beijo e das palavras ditas após ele. De poder sorrir ao vê-lo estendendo seus braços para abraçá-la e poder sentir seus dedos entre seus cabelos. Ela tentou bloquear aquelas lembranças, mas seu esforço foi em vão.
Pensou em pegar o celular, mas se lembrou das mensagens que estavam nele. Então ligou o rádio e apagou a luz, com objetivo de esquecer que tudo aquilo se repetia.
Aos poucos a música foi tomando conta de seus ouvidos, e ocupava o lugar daquilo que a deixava mal. Ela estava quase dormindo quando uma música começa a tocar mais alto do que a que estava no rádio. Ela se virou para ver de onde vinha aquele barulho. A única coisa que ela conseguiu ver foi a tela do seu celular brilhando em cima de sua cômoda. Por um momento ela hesitou em levantar-se para atender, mas logo se rendeu para a curiosidade.
Não precisou acender a luz, apenas deu alguns passos e esticou o braço pegando aquele que não parava de tocar. Ao olhar para a tela do objeto que a tirava seu sono, viu o seguinte aviso: “Nova mensagem de: Meu amor.” Só poderia ser brincadeira. Sentou-se novamente na cama embaixo das cobertas e fixou o olhar na tela do celular. Pensou bastante antes de abri-la. Ela não resistiu e apertou o botão olhando para o lado, com medo do que poderia estar escrito. Respirou fundo. E se virou. 



“Meu amor, me desculpe. Não quis te magoar. Amanhã a gente se fala. E mais uma vez, me desculpe mesmo. Eu te amo e só você sabe o quanto. Boa noite dona dos meus sorrisos durma bem.” 


Enquanto seus olhos passavam rapidamente por aquelas pequenas letras, um sorriso se abrira em seus lábios e se via o brilho daqueles que tinham tanto chorado. 
Em seguida ela fechou o sorriso e o único brilho daquele quarto escuro era da tela do celular. Pensando em tudo o que tinha acontecido, ela não sabia se acreditava ou não naquilo que lia. Ela não sabia se tudo aquilo eram apenas promessas fáceis. A dúvida tomou seu sono e a deixou por alguns instantes pensando. Apertou alguns botões e logo começou a ver suas fotos com ele. Seu olhar, seu jeito, tudo mudava ao lado dele. Um sorriso novamente se abriu em seu rosto, o seu coração bateu mais forte e a duvida passou quando ela agarrou o celular e deitou encolhendo-se entre as cobertas com o mesmo sorriso ainda no rosto. A tela do celular mostrava a foto do dia em que ele a pediu para ser somente sua, e vinha com a mensagem que ele mandou após aquele dia:

 “Você me apareceu foi como um sonho, e hoje eu sei quem faz o meu mundo girar. Seu beijo, seu sorriso, seu encanto me deixou sem ar para respirar e eu só sei que o amor que eu sinto por você, não vou deixar morrer. Boa noite única dona dos meus sorrisos, durma bem.”  

Deitada no seu travesseiro ela dormiu lembrando daquele dia, e de tudo que ele tinha dito a ela. Com confiança em suas palavras, ela permaneceu com o sorriso no rosto até o último minuto, por saber que ela ainda é a única razão dele sorrir.