Sua estação favorita estava perto e isso a animava cada minuto mais. Ela já começara a arrumar o guarda-roupa como sempre fazia todo ano, ia criando combinações dentro de sua cabeça e mal conseguia esperar pela próxima coleção.
O resto das pessoas também gostavam dessa estação, do clima que ela trazia, mas ela tinha certeza que ninguém tinha mais admiração do que ela. Que ninguém -pelo menos naquela cidade- aproveitava-a como ela, ninguém. Alguns -lê-se quase todo mundo- não acreditavam o quanto a garota era apaixonada por uma estação. Estranho de se ouvir isso, não? Mas era verdade.
Talvez fosse pelo fato dela ter nascido nessa época, ou apenas os filmes tivessem encantado-a, mas no fundo ela via aquela época mostrando a ela como era por dentro durante dias e noites e por alguma razão ela adorava. Transformava um dia qualquer num conto, ou fitava os detalhes de um dia monótono e tirava deles algum proveito futuramente bom. Se achava única por fazer isso, por ver as coisas por um ângulo que ninguém jamais tentara. "Estúpidos" era o que ela sempre dizia por perceber que, do jeito que ela via as coisas era fascinante.
Lá estava ela sentada num banco de uma praça admirando seus sentimentos sendo expostos implicitamente para o resto do mundo. Por ela, ficaria horas naquele banco, apenas olhando.
Seu coração era frio igual aquela estação e fazia mais de um ano desde que a última vez que garota chorou. Prometeu a si mesma que nunca mais o faria, principalmente por homem, a partir do dia em que seu pai a abandonou por uma vadia qualquer. Se seu próprio pai não merecia seu sofrimento, porque qualquer outro iria merecer?
Vendo as árvores sendo escondidas por entre a neve lembrava que ainda tinha um coração batendo dentro de si escondendo toda aquela insegurança de uma menininha por trás do muro de amor próprio. O vento soprava forte desarrumando seu cabelo e ela não mexia sequer um músculo para impedi-lo. Aquela época era a melhor de todas, porque por mais fria que fosse, era só nela que lembrava que escondia algum sentimento bom dentro dela.
Depois que o vento parou de soprar e ela pode arrumar os fios de cabelos, ela sussurrava para si mesma: "Finalmente, inverno."
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