
Fazia pouco tempo desde que eu decidi abrir a janela para me acalmar. Um refúgio tão óbvio que eu havia me esquecido de quando fazia isso pequena. Ar fresco seguido de uma leve brisa bagunçando um pouco os fios do meu cabelo. Uma rua calma, e sem lua no céu. Apenas poucas estrelas que ainda conseguiam ser vistas por causa da enorme e escura nuvem que cobria as demais. Um carro ou o guarda apitando passavam de vez em quando só para acabar com a monotonia do silêncio. O último vinha com lembranças e ainda trazia pensamentos indesejáveis mas mesmo assim, invonluntários.
Um poste com a luz falhada ficava por alguns minutos com ela apagada, mas logo retomava ao seu normal. Alguns barulhos como consequência do vento que soprava forte me faziam colocar a cabeça para fora da janela, por pura e gigante curiosidade.
Minha insônia se estendia ao passar das vezes que o poste apagava, e a falta de algo para fazer após ler mais de trinta páginas de um livro me consumiam a cada minuto mais. Resolvi parar de usar os poucos pensamentos úteis que eu tinha e me deixar tomar pelos os que me corroiam, que agora deixaram de ser só por dentro.
Uma música de fundo por não suportar ficar em silêncio e algumas picadas na perna eram tudo o que eu tinha ali.
Cansada de olhar a mesma paisagem depois de ter perdido as contas de quantas vezes havia a visto, fechei os olhos. Eu podia vizualizar a mesma cena de olhos fechados, e era o máximo que eu conseguia ver, mas pouco importava para mim.
Vendo a mesma coisa durante tanto tempo me fez ver o quão pouco eu parava para apreciá-la. Não era alegre e tampouco bonita, mas ela me trazia sentimentos que eu não sabia que ainda existiam, e imagens que eu esquecia de me lembrar. Eu só as conseguia ver de olhos fechados, e eu permaneci alí, assim, imóvel. Ao abrí-los eu contemplava a mesma rua com as mesmas casas e as mesmas árvores, e assim como eu esperava, as mesmas lembranças.
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