"Outra garota, a mesma cidade." Era o que Henny dizia aos seus pais quando eles perguntavam porque a menininha -inocente- deles havia mudado tanto. Não que ela tivesse de fato mudado, apenas se cansado da vida monótona que levava em Londres. Talvez para eles não fizesse sentido o que a filha respondia, mas para ela sim, e isso bastava.
Para sair da rotina, as vezes deixava de fumar, durante uns dois dias no máximo. Era seu máximo. Há um ano, o cigarro havia se tornado seu maior vício -depois dos Beatles-. Ela não precisava esconder isso dos pais, há alguns meses atrás, eles tinham descoberto. Como? Henny se faz a mesma pergunta quando eles começam a reclamar do vício incontrolável da garota. Ela os escondiam tão bem. Ela bebia sempre que saía com os amigos, mas isso era uma coisa que conseguia controlar. Mas Hye -como seu melhor amigo a chamava- se diferenciava das outras garotas. Ela tinha consciência do que fazia, não ficava bêbada toda noite, apenas bebia o suficiente para satisfazer sua vontade -que as vezes era grande demais-.
Seus pais perderam total controle sobre a garota. Tentaram de tudo; nada foi o suficiente, nunca era. A menina de dezesseis anos era linda, auto-confiante, e forte o bastante para ajudar a si própria e aos outros. Era invejada por todas.
Todos os meninos a queriam, mas ela dificilmente queria algum. Tinha bem fixo em sua cabeça de que não precisava de ninguém a enchendo de mimos e carinhos para ser feliz. Ela ao contrário dos outros não bebia nem fumava por ser infeliz ou sofrer de depressão. Apenas por prazer.
Mas Henny como todos, tinha recaídas. Ela não chorava, era forte demais para isso. Ela tinha um diário, um que mantinha desde os seis. Lá dentro ela escondia seus desejos e segredos mais profundos e as esperanças que um dia existiram nela.
Uma certa noite, a garota não tão inocente decidiu olhar alguns pensamentos antigos que guardava em seu diário, ouvindo "Imagine" uma das músicas da sua maior inspiração, John Lennon -uma das poucas sobre a qual derramou lágrimas-.
Henny ria ao percorrer os olhos àquelas pequenas letras. Ela ria por perceber o quanto sua vida era mais fácil naquela época. Ela ria por ver o quanto o seu modo de escrever havia mudado.
Mas o que mais a fazia rir, era da pequena parte do seu texto que escreveu aos dez anos. "Agora tudo faz sentido, agora que eu finalmente entendo a vida tudo é mais fácil."
Ela as vezes se questionava sobre si própria. Pensava que talvez fosse só mais uma garota qualquer naquele monte de coisas que chamamos de vida; Talvez fosse, talvez não.
O por que de Henny rir ao ler aquilo? Porque ela percebeu o quão inocente era, e o quão magnífica era toda aquela esperança de finalmente alguma coisa fazer sentido, que aos dez anos, fora sua maior descoberta.
Mas passaram-se apenas alguns anos e a única certeza que a menina inglesa tinha, era de que algum dia todas as incertezas terminariam. Mas enquanto esse dia não chega, Henny espera viva do mesmo jeito que deseja partir; com um copo de vodka e o cigarro nas mãos ouvindo os que honram a escrita de sua camiseta favorita.

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