Eu era apenas uma criança inocente, que sequer sabia o nome da tal cidade. Eu só me lembro de estar sentada chorando na sala da diretora pedindo que eu não fosse embora, quem dera ela realiza-se tal desejo.
Eu implorei para que não fôssemos, eu chorei. Nada adiantou. Eu lembro da nossa última noite, eu era pequena e havia uma pizzaria do lado da minha casa, exatamente do lado -duas casas depois da minha- me sentei nos primeiros degrais da pequena escada estava um pouco frio, mas ja tinha me acostumado.
Eu pedia pela última vez rezando que ele cede-se; Ele apenas se lamentou comigo, e dizia que iríamos fazer sacrifícios por algo melhor. Não importava, eu queria ficar onde estava e não sair de lá.
Ele me abraçou e me deu um beijo na testa pedindo que entrasse porque estava esfriando. Eu era mais uma vez uma criança inocente de sete anos sentada dessa vez, nas escadas de uma pizzaria.
Eu fiquei anciosa para o tão esperado dia, não fora grande coisa. Alguns minutos de carro e eu estava lá, na até então, desconhecida cidade. Estava quente -muito quente- ou talvez eu é que estivesse acostumada com o frio. É, talvez fosse eu.
Eu tinha sonhos acomulados em cima de outros, que na minha cabeça nada iria me impedir de realizá-los, nem mesmo uma nova vida.
Descemos do carro para um restaurante. A única lembrança que guardo desse lugar, foi do arroz horrível que comi lá.
Vi pela primeira vez a casa que pensei que passaria um bom tempo. Era pequena por fora, mas por dentro era grande. Duas salas, a cozinha e um quarto grande no fundo. Minha cama e minhas coisas lá já passavam pela minha cabeça naquele enorme e branco quarto. Mas a minha fora substituida pela dele, já era de se esperar. No fundo da casa, um quintal enorme, com três partes. Bom, tinha que ser grande o suficiente para satisfazer a labradora.
Depois de passar por muitas escolas, finalmente acharam a minha. Azul, grande, e do lado da minha nova casa. Isso confortava meus pequenos sonhos de poder ir e voltar sozinha, como nos filmes sabe?
Me acomodei no quarto dividido com minha irmã, e lá passei um ano. Já tinha criado amigos incríveis na escola que me dera um frio na barriga assim que abri a porta do carro. E tinha uma vizinha, um ano mais velha, meio chata, mas era minha única companhia para depois da escola. Sem escolhas.
Eu levava minhas coisas numa mochila. Quando vi, já estava mudando, de novo. Não era para muito longe, era logo na rua debaixo da nossa. Essa era maior na frente, grande, alta e com janelas.
Duas salas, uma cozinha enorme e um quintal gigante com três partes maiores do que a outra, bom, tinha que ser bom o suficiente para três cachorras.
Naquela longa e larga rua eu chorei, eu ri, e fiz as mais belas amizades. Algumas não duraram até hoje, outras eu nem acredito que tenham durado tanto.
Era naquela casa - eu pensava - que passaria um bom tempo, e dessa vez eu estava certa. Uma quadra a menos do que a outra, minhas esperanças de poder viver um filme; Eu estava um ano mais velha, uma quadra a menos, porque não?
Demorou um certo tempo até ver que esse sonho parecia mais emocionante nas telas do cinema. Me acostumei com isso, e com o calor que fazia na pequena cidade.
A garotinha sentada na escada de uma pizzaria de esquina, agora é uma garota sentada na frente do computador escrevendo sobre seus sonhos.
A garotinha cresceu, e se acostumou com a nova vida. As vezes ela se enjooa e agora pede para voltar para a velha casa. Ela pensa um pouco mais e não consegue se ver longe da cidade que até sete anos atrás não conhecia.
Ela tem sonhos e mais sonhos, um em cima do outro esperando a sua vez. Nunca desistiu de nenhum. Até porque ela teve que esperar quase dois anos para andar menos de dez quadras. Valeu a pena esperar, e sem pressa. A menina que gostava do frio tem muito mais coisa para contar, muitos lugares para morar, e muitas escadarias de pizzarias para sentar.
Eu implorei para que não fôssemos, eu chorei. Nada adiantou. Eu lembro da nossa última noite, eu era pequena e havia uma pizzaria do lado da minha casa, exatamente do lado -duas casas depois da minha- me sentei nos primeiros degrais da pequena escada estava um pouco frio, mas ja tinha me acostumado.
Eu pedia pela última vez rezando que ele cede-se; Ele apenas se lamentou comigo, e dizia que iríamos fazer sacrifícios por algo melhor. Não importava, eu queria ficar onde estava e não sair de lá.
Ele me abraçou e me deu um beijo na testa pedindo que entrasse porque estava esfriando. Eu era mais uma vez uma criança inocente de sete anos sentada dessa vez, nas escadas de uma pizzaria.
Eu fiquei anciosa para o tão esperado dia, não fora grande coisa. Alguns minutos de carro e eu estava lá, na até então, desconhecida cidade. Estava quente -muito quente- ou talvez eu é que estivesse acostumada com o frio. É, talvez fosse eu.
Eu tinha sonhos acomulados em cima de outros, que na minha cabeça nada iria me impedir de realizá-los, nem mesmo uma nova vida.
Descemos do carro para um restaurante. A única lembrança que guardo desse lugar, foi do arroz horrível que comi lá.
Vi pela primeira vez a casa que pensei que passaria um bom tempo. Era pequena por fora, mas por dentro era grande. Duas salas, a cozinha e um quarto grande no fundo. Minha cama e minhas coisas lá já passavam pela minha cabeça naquele enorme e branco quarto. Mas a minha fora substituida pela dele, já era de se esperar. No fundo da casa, um quintal enorme, com três partes. Bom, tinha que ser grande o suficiente para satisfazer a labradora.
Depois de passar por muitas escolas, finalmente acharam a minha. Azul, grande, e do lado da minha nova casa. Isso confortava meus pequenos sonhos de poder ir e voltar sozinha, como nos filmes sabe?
Me acomodei no quarto dividido com minha irmã, e lá passei um ano. Já tinha criado amigos incríveis na escola que me dera um frio na barriga assim que abri a porta do carro. E tinha uma vizinha, um ano mais velha, meio chata, mas era minha única companhia para depois da escola. Sem escolhas.
Eu levava minhas coisas numa mochila. Quando vi, já estava mudando, de novo. Não era para muito longe, era logo na rua debaixo da nossa. Essa era maior na frente, grande, alta e com janelas.
Duas salas, uma cozinha enorme e um quintal gigante com três partes maiores do que a outra, bom, tinha que ser bom o suficiente para três cachorras.
Naquela longa e larga rua eu chorei, eu ri, e fiz as mais belas amizades. Algumas não duraram até hoje, outras eu nem acredito que tenham durado tanto.
Era naquela casa - eu pensava - que passaria um bom tempo, e dessa vez eu estava certa. Uma quadra a menos do que a outra, minhas esperanças de poder viver um filme; Eu estava um ano mais velha, uma quadra a menos, porque não?
Demorou um certo tempo até ver que esse sonho parecia mais emocionante nas telas do cinema. Me acostumei com isso, e com o calor que fazia na pequena cidade.
A garotinha sentada na escada de uma pizzaria de esquina, agora é uma garota sentada na frente do computador escrevendo sobre seus sonhos.
A garotinha cresceu, e se acostumou com a nova vida. As vezes ela se enjooa e agora pede para voltar para a velha casa. Ela pensa um pouco mais e não consegue se ver longe da cidade que até sete anos atrás não conhecia.
Ela tem sonhos e mais sonhos, um em cima do outro esperando a sua vez. Nunca desistiu de nenhum. Até porque ela teve que esperar quase dois anos para andar menos de dez quadras. Valeu a pena esperar, e sem pressa. A menina que gostava do frio tem muito mais coisa para contar, muitos lugares para morar, e muitas escadarias de pizzarias para sentar.

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