segunda-feira, 16 de setembro de 2013

Inside

Estou andando. Talvez sem rumo, mas continuo seguindo sem saber aonde isso irá me levar. Tropeço algumas vezes pelo caminho, mas sou distraída. Estou distraída com essa vasta imensidão que me cerca e todas as possibilidades que nela existem. São tantas. Me sinto perdida, e... Caramba, tropecei! Dessa vez eu caí. Caio lentamente. A queda é grande e eu conto 5 segundos antes de atingir o chão. A contusão nas minhas costas me faz demorar para levantar. 
Massageio minha nuca e mexo o pescoço como quem diz não. Fico em pé e vejo que minha roupa não está suja. Já estiveram aqui antes. Afinal, onde estou? Olho para os lados tentando me localizar. Nada. Minha nuca dói. Acho que cortei a cabeça. Passo a mão para conferir e vejo alguns pontos de sangue nela, porém não dou importância. 
Dou alguns passos incertos pela frente e respiro fundo. Acho que encontrei um caminho. Será que devo prosseguir ou apenas voltar para o lugar de minha queda, gritar algumas palavras de socorro e esperar alguém passar por ali e me ouvir? 
Hesito. Passos, agora cuidadosos, caminham sem pressa para que não hajam mais quedas inesperadas. Tateio a parede em buscar de algo e torço para não haver insetos. Odeio insetos. Acho que encontrei algo. Minhas mãos deslizam por entre aquilo que me parecem ser escritas. Tento acompanhar o movimento de cada letra com o dedo e formar alguma palavra na cabeça. Por quê eu já sei o que está escrito? Continuo a passar os dedos pelas letras encravadas naquela parede, agora num ritmo acelerado. Minha respiração está ofegante e minha cabeça dói. Reconheço até escritas de minha autoria. Eu já li isso. Eu já escrevi isso. Eu... Eu já estive aqui antes. 
Paro por um momento e olho ao redor. As paredes estão revestidas de palavras que meus olhos estão cansados de ler. Só eu sabia o desgaste que aquelas frases haviam causado em mim e em como eu estava farta delas. Alguma coisa caiu no meu olho. Poeira, talvez? Tento olhar para cima para ver se consigo identificar o lugar de onde aquilo estava vindo. Um buraco se abriu e deixou entrar luz pela sua pequena espessura.
Ouço sons. Vozes talvez. Não consigo entender o que dizem. Acho que é porque estão sussurrando. Cantarolam músicas que conheço e recitam aquelas palavras que revestem as paredes ao meu redor. Estou farta. Desses sons. Desses sussurros e até mesmo dessas músicas. Estou farta desse lugar. Não entendo o incomodo repentino, mas sei que não quero continuar aqui.
Recuo. Sinto vontade de gritar por socorro. Minha voz ecoaria alto o suficiente para atravessar o pequeno buraco que se abriu em cima de mim? Solidão. Me sinto só. As vozes sumiram e o raio de luz se apagou. Estou cercada de coisas que conheço, mas nunca me senti tão perdida. Dou passos desesperados em qualquer direção. Não quero mais ficar aqui. Me sinto sufocada.
Viro a esquerda. Vejo um feixe de luz e o alivio toma conta do meu corp... Não! Eu andei em círculos? O que estou fazendo aqui de novo? Viro a direita. Continuo andando. Talvez esteja correndo. Meus pés se movem rápido demais. Não querem mais tocar esse chão. E então, eu me sento. Fecho minhas mãos e as aproximo do meu peito. Minha respiração está ofegante. Minha cabeça dói.
Num gesto desesperado, olhar para cima parece ser minha única opção. Peço que as vozes voltem para que eu não me sinta tão só. Ouço um leve cantarolar e me sinto aconchegante. Elas, agora, me fazem tão bem. E num piscar, eu recobro a consciência de que esse não é o meu lugar. Fora um dia, mas agora não é mais. Eu pertenço a outra queda e não a essa.
Comodismo nunca foi meu forte, portanto eu preciso sair daqui antes que me acostume com esse lugar. Me levanto e olho para os lados. Eu conheço aqui. Conheço como a palma de minha mão. Tenho certeza. Meu corpo esta em êxtase. E então eu corro. Corro como quem está prestes a alcançar a linha de chegada. No meu caso, a de partida. A linha que me tiraria desse lugar. Que me levaria de volta para minha imensidão. É bem mais perigoso lá, onde eu não conheço nada. Me ponho em risco extremo. Adrenalina. Êxtase. É isso que meu corpo pede. É disso que ele precisa. Vejo algo. A luz machucas meus olhos. Entro sem saber aonde irá me levar. O alívio é que toma conta de cada parte de mim. Enfim, estou andando.

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Between sex and cigarettes

 

   E os nossos corpos, agora suados, se tocavam e friccionavam num mesmo movimento contínuo que foi desacelerando junto com nossa respiração e parou lentamente ao som de um barulho prazeroso que a boca de ambos fazia. E então, com o pouco de força que sobrara em nossos corpos, nos beijamos.
   Ele sorriu e nos deitamos um ao lado do outro, ofegantes. Ficamos ali fitando o teto do quarto por quase dez minutos antes dele se levantar e perguntar se eu também iria querer chá. Concordei. Tive mais uns cinco minutos para ficar deitada na cama enquanto a água aquecia. Tateei por meio dos lençóis até encontrar alguma peça de roupa perdida por lá e encontrei a blusa dele. Indaguei aonde estaria a minha e acabei por me lembrar que esta estava em algum lugar da sala. Levantei e lavei o rosto rapidamente para tirar o resto de suor que residia em mim. 
   Abri um pouco as cortinas para aproveitar o céu de fim de tarde que tanto gosto e depois me sentei na cama esperando ele voltar com meu chá. Ouvi seus passos em direção ao quarto e então o vi parado na frente da porta. Sua box preta tinha certa harmonia com sua pele morena e em suas mãos haviam duas xícaras e em sua boca, um cigarro.
   Ele se sentou ao meu lado e me entregou o chá. Tirou o cigarro da boca, deu um gole no seu e o apoiou sobre o criado-mudo. Deu um beijo no meu rosto e suspirou. Olhei para ele analisando seu rosto ao fumar e sorri.
   O observei enquanto soltava fumaça e falhava ao tentar fazer bolas com ela. Ele virou pra mim e rio ao soprar o resto dela no meu rosto. Tossi e tentei espantar a fumaça com a mão. Dei um chute de leve em sua perna para retrucar e ele a segurou, deixando-a repousar em cima da sua.
   - Posso? - estendi a mão para pegar o cigarro
   - Não sabia que você fumava. - ele tragou uma última vez antes de passar pra mim
   - Eu não fumo. Apenas gosto de brincar com a fumaça quando estou entediada.
   - Ah, e você está? Posso resolver isso agora se você quiser. - ele fingiu que vinha para cima de mim
   - Não, estava apenas explicando... Fiquei com vontade agora. - ri - Por quê você fuma?
   - No começo era por graça, mas agora acho que já virou costume.
   Traguei.
   Senti sua mão percorrer a minha perna de baixo pra cima e vice-versa. Ele alternava entre a ponta dos dedos e a palma da mão. Desenhava círculos e curvas imagináveis nela e às vezes subia até a coxa só para ver a pele arrepiar.
   Fiquei observando-o quando levantou da cama para pegar outra blusa já que eu usava a dele e pude analisar os músculos de suas costas se mexendo. Mordi o lábio. Ele se jogou na cama um pouco abaixo e puxou uma de minhas pernas para o meio das dele. Se ajeitou e ficou olhando para mim e para a fumaça que saia da minha boca.
   - Que foi? 
   - Gostei de te ver fumar. Você fica concentrada.
   - Obrigada, eu acho. - houve uma pausa. Acho que descobri porquê gosta tanto de cigarros. 
   - Ah é? Por que? 
   - Porque é confortante. Dá sensação de alívio por alguns segundos. Alívio de toda essa bagunça em que vivemos. Ou paz, sensação de paz em meio a tanto barulho e cada um consegue isso de um jeito. O seu é fumando. 
   Ele ficou em silêncio. 
   - Por quê fumei agora? Estou em paz. Estou contigo após transarmos deitado numa cama e não vejo bagunça e barulho em lugar nenhum. 
   - Como não? Está bem na sua frente. 
   - Aonde?
   - Aqui. - amassei o cigarro num prato ao lado - A bagunça sou eu. 

  

terça-feira, 12 de março de 2013

Us


Hoje, infelizmente, aquele bichinho da insegurança resolveu me picar. E toda vez que isso acontece, eu sinto como se fosse desmoronar, porque pensar que eu não sou boa o suficiente, que alguém já fez melhor do que eu, que você já foi mais feliz do que quando está comigo é algo que me corrói por dentro. 

E isso me consome e vai crescendo até eu não aguentar mais e explodir em lágrimas. O problema é que toda vez que isso acontece, parece que se transforma no foco de tudo ao meu redor, ou seja, nada do que eu fizer vai ser bem feito enquanto isso estiver na minha cabeça.
E então, eu choro. Eu choro como se eu estivesse te perdendo ou como se você tivesse feito algo terrível pra mim. Talvez você tenha feito. Não te culpo em sei lá, ter medo de amar de novo porque deve ter sido ruim passar por tudo que tu passou e eu admiro sua força. Mas gostaria de pedir que você não deixasse os medos do passado afetarem o presente. 
Se fosse assim, acho que eu nunca mais seria capaz de confiar em homem algum depois de ocorridos passados. Só que parece que eu gosto, que tenho prazer em me torturar com as coisas. Aí eu vou lá e pego todas aquelas mensagens antigas, bem do comecinho e fico ouvindo aquela música que as vezes me faz lembrar de ti. 
Você era tão... Ah, por que foi mudar? Como sinto saudade de ler que você ta com saudade ou de sentir uma arrepio nos braços quando você dizia que estava com vontade de mim e que não aguentava mais ficar sem me beijar. 
Eu tento relevar e pensar como que esse é seu jeitinho, mas antes você parecia não ter uma única coisa que me incomodasse e agora eu tenho tantas entaladas na garganta que não consigo por pra fora. Nunca fui desse jeito, de não conseguir falar algo, principalmente para alguém com tanta importância como você. Sinto que erro toda vez que engulo minhas mágoas, mas posso fazer o que se eu me sinto tão vulnerável a você. 
Eu gosto tanto de você... E de pensar em ti quando não tenho nada pra fazer ou ficar vendo fotos nossas e rindo dos vídeos que fazíamos. Será que você faz o mesmo? Será que você pensa em mim quando deita a cabeça seja no travesseiro como na carteira? Como eu gostaria que tu me dissesse que passou o dia pensando em mim, em nós.